quinta-feira, 7 de abril de 2016

"Museu subaquático" dos Açores vai ter centros interpretativos em terra em 2017

Mil naufrágios documentados tornam o mar dos Açores num "museu subaquático", com "cápsulas do tempo" já visitáveis através de mergulho, mas que o Governo Regional quer potenciar, criando em 2017 centros interpretativos em terra.
 
“Estamos a encetar um processo de criação de centros interpretativos em terra, para que quem não mergulha possa usufruir na mesma dessas histórias de odisseias trágico-marítimas. Simultaneamente, apostamos em barcos com fundo de vidro”, afirmou à agência Lusa o arqueólogo da Direção Regional da Cultura José Luís Neto.
O roteiro do património cultural subaquático nos Açores é atualmente constituído por 25 parques arqueológicos subaquáticos visitáveis através do mergulho. O primeiro foi criado em 2005 na baía de Angra do Heroísmo, ilha Terceira, local onde se conhece a existência de uma centena de naufrágios.
“Aqui chegavam todos os navios de todas a rotas de todo o mundo antes de chegarem à Europa e, por isso mesmo, nós temos aqui pedaços, fragmentos, cápsulas do tempo de toda essa riqueza”, destacou José Luís Neto, acrescentando que nos Açores há navios naufragados que “fizeram a rota do chá, travaram guerras da independência americana e que representam a industrialização agrícola”.
Presentemente, as visitas aos 25 parques arqueológicos subaquáticos são acompanhadas pelos mergulhadores dos clubes navais ou operadores marítimo-turísticos das diferentes ilhas do arquipélago, que funcionam como guias, existindo também como auxílio pequenos documentários em vídeo sobre o que é possível encontrar dentro de água.
“Nestes 25 sítios nós temos navios com graus de integridade e importância histórica muito diferentes. Temos naufrágios a 60 metros de profundidade, mas também temos um naufrágio, que é o caso do ‘Canárias’, que está a três metros e que, portanto, qualquer pessoa que esteja em Santa Maria, na praia Formosa, pode pura e simplesmente, com um par de óculos, usufruir dele, desde que saiba nadar”, adiantou o arqueólogo.
Recentemente, o diretor regional da Cultura vincou que o roteiro do património cultural subaquático, que já foi objeto de manifestações de interesse por parte das Canárias e da Madeira, pretende potenciar este património na vertente turística, estudo e investigação, assim como salvaguardar a sua preservação futura.
Entre os parques subaquáticos açorianos devidamente regulamentados está o 'Dori', próximo da cidade de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, o 'Caroline', na ilha do Pico, o 'Slavonia', na ilha das Flores, o 'Canarias', em Santa Maria, entre muitos outros.
Segundo José Luís Neto, “os tesouros” trazidos a bordo dos navios naufragados estão expostos nos museus da região ou na posse de cidadãos.
“Por exemplo, na ilha das Flores, quando as pessoas queriam receber muito bem alguém de fora, utilizavam as loiças precisamente do transatlântico ‘Slavonia’. O mesmo se passou no Pico com o ‘Caroline’ e o mesmo se verificou em Santa Maria com as peças do ‘Canarias’”, sustentou o arqueólogo.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Congresso Internacional: “A Guerra no Mar”, Cascais

“A Guerra no Mar” junta especialistas nacionais e internacionais e mostra navio de guerra em Cascais.
No âmbito do Congresso Internacional “A Guerra no Mar: Combates e Poder Naval nos Séculos XIX e XX”, que decorre dias 8 e 9 de abril no Centro Cultural de Cascais, estará ancorada na baía de Cascais, com o apoio da Marinha Portuguesa, a corveta Jacinto Cândido que, caso as condições meteorológicas o permitam, o público terá possibilidade de visitar.
O congresso, de entrada livre mediante inscrição gratuita através de arquivo.historico@cm-cascais.pt ou waratseacascais@gmail.com, abordará diversas temáticas de cariz histórico, com particular destaque para os períodos da I e II Guerras Mundiais, tendo por fio condutor o mar que, ao longo da história, se afirmaria como território de conflito.
Andrew Lambert, do King’s College (Londres) e António José Telo, da Academia Militar, são os conferencistas que abrem a sessão de trabalhos do primeiro dia do evento.
No segundo dia, que comportará uma conferência a cargo do reputado investigador Lincoln Paine, o painel dedicado ao “Património Cultural e Subaquático” contará com comunicações de Fátima Claudino, Alexandre Monteiro, Paulo Costa e de dois arqueólogos subaquáticos ao serviço da autarquia de Cascais, Jorge Freire e António Fialho, em que se evocarão, por exemplo, as histórias do rebocador Patrão Lopes e do caça-minas Roberto Ivens, que têm vindo a atrair a atenção da comunicação social desde o final do ano passado, no âmbito da evocação do centenário da Grande Guerra.
Estes académicos e investigadores – provenientes de instituições de referência como a Academia Militar, o CINAV, a Direção de Infraestruturas do Exército, a Escola Naval, a King’s College, a UNESCO ou as Universidades Nova de Lisboa e do Porto – marcarão presença em Cascais de forma a promover e sedimentar o conhecimento acerca destas importantes temáticas, com repercussões locais, nacionais e internacionais, realçando simultaneamente a milenar ligação de Cascais ao Mar.
O evento é organizado pelo Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa em parceria com a Câmara Municipal de Cascais.
Fonte: C.M.Cascais

Informações úteis
Inscrições para o Congresso: arquivo.historico@cm-cascais.pt | waratseacascais@gmail.com
Inscrições para visita à corveta, limitadas ao n.º de lugares disponíveis: arquivo.historico@cm-cascais.pt | 21 481 57 38

Programa em

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Inauguração da exposição “O TEMPO RESGATADO AO MAR” - Cantanhede.

Inauguração da exposição “O TEMPO RESGATADO AO MAR”  - dia 27 de novembro de 2015, pelas 16h00, no Museu da Pedra - Cantanhede


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Pedido de criação de comissão parlamentar para as Políticas do Mar entregue na segunda-feira

Petição reúne já 1800 assinaturas e defende que o Parlamento deve incluir o mar na sua agenda política e económica.

Um grupo de personalidades entrega esta segunda-feira, dia 26, ao presidente da Assembleia da República uma petição a pedir que seja criada uma nova comissão permanente no parlamento: a Comissão para as Políticas do Mar.
Os peticionários, que este domingo eram mais de 1800, defendem que uma comissão parlamentar "será apta, como nenhuma outra estrutura, a articular, na perspectiva de uma comum estratégia do mar, as políticas que se exercem em sectores longamente estruturados, como a Marinha, pescas e transportes marítimos, e aquelas que se projectam em dezenas de outras áreas".
Do grupo de personalidades fazem parte o ex-deputado do CDS-PP Ribeiro e Castro, o presidente da Academia da Marinha e ex-chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Nuno Vieira Matias, o presidente do Fórum Oceano - Associação da Economia do Mar, o presidente da Confraria Marítima de Portugal, almirante Henrique da Fonseca, e Joaquim Saltão, da Confraria Marítima.
Os peticionários lembram que, apesar de o mar ser "um dos principais recursos naturais de Portugal", o país deixou-o "fora da sua agenda política e económica, não o inserindo no rol das prioridades nacionais". "Estamos crescentemente diante de um novo paradigma nas atitudes perante o mar, reconhecendo-o não só como uma questão de tradição, mas também imperativo de modernidade; não só como traço essencial da nossa identidade, mas como nova e vasta oportunidade para o nosso futuro colectivo", referem.

Defendem que "importa mobilizar o Estado, ao seu mais alto nível, a partir do Parlamento, onde se representa toda a República e toda a cidadania, para este grande desafio nacional". A entrega da petição ao novo presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, está marcada para as 17h00.